Viagem no tempo: Porquê o Harry Potter não volta e salva quem morreu?

“Cara, porquê o Harry Potter não usou o vira-tempo para salvar o Sirius, o Snape, o Fred ou até mesmo os próprios pais?”

Essa é uma pergunta que sempre surge na cabeça de quem acabou de ler o livros, mas não entendeu muito bem o conceito de viagem no tempo utilizado pela J. K. Rowling em seus livros.

Por esse motivo vamos desvendar o mistério por trás do vira-tempo e te dar alguns argumentos para explicar melhor o porquê disso tudo.

Mas antes um aviso: Eu não sou matemático nem físico, então se houver algo errado sintam-se à vontade para corrigir nos comentários ou encaminhar um e-mail que vou corrigir assim que possível.

Linhas do tempo:

Sempre gostei muito de filmes com viagem no tempo, ter a possibilidade de ir e vir em diferentes momentos, rever o que aconteceu, alterar o que foi feito é uma possibilidade que atrai várias pessoas.

Sei que posso estar errado, mas de acordo com o que já vi de filmes que tratam de viagem no tempo existem duas linhas de tempo que são as mais utilizadas que eu classifiquei da seguinte forma:

  • O tempo em linha reta;
  • O tempo em círculo.

Essas duas formas de ver as viagens no tempo ajudam muito na hora de entender o que pode e o que não pode ser feito em um filme, livro ou jogo que utiliza o tema viagem no tempo.

O tempo em linha reta:

O tempo em linha reta pode ser alterado caso o viajante mude algo importante em um tempo passado.

Essas imagens explicam como funciona o tempo em linha reta.

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Aqui o tempo é uma linha reta, onde o passado já aconteceu, o presente está acontecendo e o futuro vai acontecer se tudo continuar como é.

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Nessa linha de tempo é possível que o viajante saia do presente e visite outras épocas, na imagem acima ele vai do presente até o passado para alterar um acontecimento importante. Ele também poderia ter viajado do futuro até o presente, mas não é o caso aqui.

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Uma vez que ele vá ao passado e altere algo importante, ele corre o risco de desfazer o futuro e o presente de onde ele veio. Nesses casos ele pode até eliminar a possibilidade dele mesmo existir nesses novos presente e futuro. Se ele matar o próprio pai enquanto o pai dele ainda é uma criança no passado por exemplo.

Atenção esse texto contém Spoilers do filme Looper, se você não quer saber o que acontece nesse filme não leia o texto marcado como Spoiler abaixo.

Para facilitar a compreensão o tempo em linha reta pode ser visto nos seguintes filmes:

  • Looper;
  • A máquina do tempo;
  • O Exterminador do futuro;
  • De volta para o futuro;
  • Feitiço do tempo;
  • Efeito borboleta;

Na linha de tempo contínuo o tempo é visto como uma linha reta que pode ser alterada caso o viajante do tempo volte ao passado e faça alguma alteração naquela época.

-Início do Spoiler.

No filme Looper vemos um assassino no presente que acaba sendo contratado para matar sua versão do futuro. Quando ele descobre todo problema que será causado pelo fato de ele mesmo existir no futuro, ele resolve se matar no presente e modificar tudo que teria acontecido se ele ainda fosse vivo.

-Fim do Spoiler.

No filme A máquina do tempo é possível ver a linha de tempo contínuo prendendo o viajante do tempo em algumas regras, ele não pode alterar a morte de sua amada no passado pois esse foi o motivo pelo qual ele criou a máquina do tempo, ou seja, se ela não morrer no passado não haverá motivos para criar a máquina que ele usou para voltar.

O filme Efeito borboleta é o mais indicado para quem quer ver e entender melhor esse conceito, o personagem altera o presente de diversas formas voltando no tempo.

O tempo em círculo e a explicação de Harry Potter:

O tempo em círculo fica mais fácil de entender depois que explicamos o conceito do tempo em linha reta.

O tempo em círculo funciona de maneira parecida com uma diferença, nessa linha de tempo tudo está sempre acontecendo, passado, presente e futuro estão sempre acontecendo ao mesmo tempo.

Dessa forma tudo que você fizer quando voltar ao passado vai servir para que aconteça tudo que está no seu presente.

Alguns filmes que usam a linha do tempo em círculo:

  • Os doze macacos;
  • MIB – Homens de Preto 3;
  • Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban;
  • O planeta dos macacos.

Veja as imagens e vamos usar o exemplo de Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban a partir do momento da execução do Bicuço.

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Nessa parte estamos no presente acompanhando Harry, Rony e Hermione. Eles vão até a cabana do Hagrid momentos antes da execução de Bicuço, conversam e até veem o hipogrifo preso perto do canteiro de abóboras.

Mas uma coisa acontece aqui e quem não presta atenção fica sem entender, alguém atira pedras para dentro da cabana, uma delas quebra um jarro e outra acerta o Harry na cabeça. Lembre-se disso para daqui a pouco.

Por levar uma pedrada na cabeça eles percebem que o Ministro está chegando e saem da cabana, se escondem entre as abóboras e a Hermione ouve um barulho entre as árvores (lembre-se disso também para daqui a pouco).

Note que em nenhum momento é dito que o Bicuço é executado nessa parte, no livro fica mais fácil, mas a cena do filme engana algumas pessoas pois o carrasco chega a usar a foice (mais tarde descobrimos que foi um acesso de raiva por Bicuço ter fugido e o que ele cortou foi uma abóbora).

A partir daqui eles vão até a casa dos gritos, acontece toda a parte com o Sirius, a transformação do Lupin, a fuga do Pedro e nós seguimos até o momento da viagem no tempo que acontece na ala hospitalar.

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A Hermione usa o vira-tempo junto com o Harry e ambos voltam momentos antes da execução do Bicuço, mas dessa vez eles não entram na cabana, pois eles não podem ser vistos por suas versões do passado que já estavam lá dentro.

Quando a Hermione e o Harry viajantes do tempo veem o Ministro chegando eles percebem que suas versões dentro da cabana não notaram o Ministro, nessa hora a Hermione vê uma das pedras que foram arremessadas na cabana e tudo começa a se encaixar (lembra da pedrada que o Harry havia levado?), ela pega pedras e arremessa dentro da cabana para chamar atenção.

Para não serem vistos ela puxa o Harry para dentro da floresta, um pouco atrás do canteiro de abóboras e mais uma vez temos outra cena que mostra que tudo aquilo já tinha acontecido, como em um círculo, a Hermione da alguns passos para ver melhor como fica o cabelo dela por trás e acaba pisando em um galho (lembrou agora do barulho que ela tinha ouvido antes?).

Porquê o Harry não salva todos que morreram?

Por um motivo simples:

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Não importa quanta vezes eles voltem ao passado, não importa em qual momento do passado eles vão voltar. Tudo que eles fizerem já foi feito, assim como a pedrada que o Harry levou e o barulho que a Hermione ouviu.

Se o Sirius morreu e tantos outros personagens morreram, incluindo o Fred e os pais do Harry, é impossível que alguém volte e altere esses acontecimentos, pois eles já estavam dentro do que deveria acontecer inevitavelmente.

Outros exemplos com spoilers:

-Início do Spoiler.

No filme Doze macacos, o Bruce Willis volta no tempo para impedir que um vírus seja espalhado na terra, durante o filme ele tem sonhos estranhos onde se lembra de quando era criança ter visto um homem ser assassinado, no fim do filme descobrimos que o homem que ele viu ser morto era ele mesmo mais velho.

-Fim do Spoiler.

Em MIB – Homens de Preto 3 descobrimos o porquê do agente K ser tão ranzinza e também porquê ele escolheu o agente J (Will Smith) como parceiro.

Amigos, esse é o modo como eu enxergo esse tema, se houver alguém que pensa diferente e quiser entrar em contato deixe um comentário ou mande um e-mail através da nossa página de contato.

Um grande abraço!

O Espadachim de Carvão | Análise e Curiosidades | Parte 1

Se você ainda não leu o livro O Espadachim de Carvão e não quer SPOILERS, por favor não leia o texto abaixo. Tome vergonha e vá comprar um exemplar, a gente espera.

Desde que comecei a ouvir o MRG (Matando Robôs Gigantes) me identifiquei bastante com o modo que o Affonso Solano aborda os diversos temas tratados no programa.

É comum entre as conversas que acontecem durante o programa ele deixar sua marca, seja com um questionamento em relação ao modo como vivemos nossas vidas de forma pouco prática ou considerando a possibilidade de haver muito mais do que nós desconfiamos por ai no universo.

Então quero compartilhar com vocês uma análise, sob o meu ponto de vista (que pode estar muito equivocado) de algumas lições inseridas no livro O Espadachim de Carvão.

Antes de tudo vou te pedir um favor meu amigo leitor. Pegue o seu exemplar de O Espadachim de Carvão, pois essas postagens vão seguir a ordem de leitura do livro, a ideia é discutir sobre cada mensagem que surgir e fazer referência a outros momentos do livro.

Mais uma vez aviso, se você não leu o livro e não quer SPOILERS, por favor não leia o texto abaixo.

Tema de hoje:

Limitações, vantagens e desvantagens:

Nosso lugar no mundo é definido não só pela natureza, mas também por nós mesmos.

Logo no início do livro, na página 9, Adapak faz uma breve análise de uma Guandiriana que ele acabara de matar e reflete: “Nascidos para a violência”.

Assim de cara fica cedo para falarmos sobre isso, mas depois de ler o livro todo percebi que nesse ponto o autor, Affonso Solano, mostrou de uma maneira bem sutil como O Espadachim de Carvão vê o mundo. Adapak poderia chegar a diversas conclusões após observar o comportamento e o aspecto físico daquela Guandiriana, mas o que passa pela sua mente naquele momento é o fato daquele ser vivo ter sido criado em condições de executar um propósito: ser violento.

Existem mais dois momentos no livro onde essa visão de que cada ser é criado com um propósito é evidenciada:

1- No primeiro encontro com  Enki’ När, nas páginas 78 e 79,  é ensinado ao pequeno Espadachim de Carvão que todos os seres são criados com vantagens e desvantagens. Através do exemplo dado pelo Dingirï, Adapak aprende que existem dificuldades naturais em cada espécie, mas que essas mesmas dificuldades podem ser vencidas quando nossa vontade de alcançar um objetivo é maior que o nosso medo de sair da zona de conforto definida pela natureza.

“Humanos aprenderam a fazer velas para enxergar na escuridão… a distância entre nós e o que desejamos superar deve ser decidida por nós mesmos, e não somente pela natureza, você compreende?” – Enki’ När

2- Na conversa que acontece com Telalec entre as páginas 108 e 110, o jovem Adapak aprende sobre os círculos Tibaul. Que funcionam de acordo com as limitações de cada espécie em Kurgala. Mais uma vez O Espadachim de Carvão se depara com o tema “limitações”, dessa vez sob um aspecto mais rígido, tendo em vista que aqui as limitações definem cada movimento e decisão a ponto de haver um “manual” (os círculos Tibaul) que permite calcular e antecipar as atitudes de cada ser vivo.

Não sei se esse foi o propósito primário desses textos, mas para mim uma lição ficou clara: Todos temos nossos limites, a nossa zona de conforto, seja ela física ou psicológica, mas não é isso que vai nos definir se realmente quisermos alcançar um objetivo.

Além dos exemplos citados no livro, vemos todos os dias histórias de pessoas com algum tipo de limitação, mas que superaram isso e hoje conseguem mais do que foram “criados” para conseguir.

Existem mais exemplos dentro desse tema espalhados pelo O Espadachim de Carvão, mas eu gostaria que vocês compartilhassem isso comigo aqui nos comentários.

Nas próximas semanas vou postar sobre outras lições que encontrei no livro e poderemos conversar mais sobre os novos temas.

E então, o que você me diz sobre isso?

Para saber mais sobre O Espadachim de Carvão visite o site:

www.espadachimdecarvao.com